terça-feira, 10 de novembro de 2020

Requinto, quinto, conga, tumbadora?! Que tambores são esses?

A pergunta é importante. Não é raro o percussionista brasileiro se enrolar na hora de comprar pele sintética de fabricante internacional, com padrão definido, mas que não necessariamente condiz com o que entendemos como sendo o quinto aqui no Brasil. E se não estiver clara essa diferença, por extensão, as demais medidas e nomenclaturas de tambores acabam confundindo mesmo e, consequentemente, arriscamos perder dinheiro e tempo numa oportunidade de compra de seus acessórios, como é a reposição de uma pele para o tambor (saiba mais sobre isso, no artigo sobre medição de pele de tambor)




O entendimento de muitos fabricantes nacionais sobre a maneira que seriam compostos e tocados estes sets de conga aqui no Brasil, de início, apresentou certa confusão que depois se consagrou como padrão nosso.

Nas buscas de informação por estes instrumentos, costuma-se não fazer diferença entre congas e tumbadoras, embora saibamos que, em sua especificidade, de fato o são por sua dimensão, sonoridade e função. Não convém alongar, mas vale lembrar que "conga" também possui outras acepções, como por exemplo, um ritmo ou uma manifestação cultural de rua em Cuba.

Nos EUA, em Cuba, em Porto Rico, Colômbia, Venezuela, Peru e outros países, cuja cultura musical (ligada aos povos latinos, evidentemente) com as congas é anterior ao uso que se fez no Brasil, há uma característica padrão de tambores e nomenclatura que chamamos, respectivamente, de requinto (9¨ 3/4), quinto (11"), conga (11" 3/4) e tumbadora (12" 1/2) - ainda encontramos o raríssimo "ricardo", mais agudo do que o requinto, por um lado, e a chamada supertumba, mais grave do que a tumbadora (por volta de 13"), por outro. Se quisermos uma comprovação, este padrão é comprovado pelo tipo de pele que se deve adquirir, utilizando esta nomenclatura, das marcas internacionais de peles para tambores, como REMO, EVANS e outras.

Na prática, quando se diz que o percussionista conduz a música num tambor, variando num segundo ou mesmo num terceiro, quarto e assim por diante (o mestre Giovanni Hidalgo que o diga!), tomamos como base o tambor mais agudo no que se convencionou a ser conduzido ao modo de formação de banda ou orquestra, com apenas 1 percussionista, e não ao modo das tradicionais rumbas que se formavam, com a presença de 3 tamboreiros.

O vídeo abaixo ilustra a sonoridade (mais grave) do tambor (quinto - 11") que conduz a salsa, diferentemente do requinto (9" 3/4), originalmente utilizado como tambor de improviso no guaguancó e outros gêneros da música cubana (e amplamente utilizado na música brasileira até mesmo pra conduzir):




O fato é que, em resumo, na configuração de percussionistas contemporâneos (sozinhos, tocando com mais de 1 tambor), o quinto é o principal, não o requinto. Como foi dito, o quinto mede 11" e, quando nesta formação de trio, é o mais agudo dos tambores (o uso do requinto não faria sentido neste caso, já que sua função não seria de condução, como se faz com um trio de congas aplicado a bandas etc, mas sim de fraseados e improvisos do rumbeiro, num contexto muito particular desta cultura - claro que estaria livre para ser usado no contexto que fosse, mas é preciso explicar o caso em questão).

Com isso, como estes instrumentos surgiram pelo Brasil também, sob influências desta cultura latina e uso em bandas, entendeu-se que o chamado "quinto", sabido ser o mais agudo nesse contexto geral (formação de trio para bandas), era o principal. Mas ao indagar aos percussionistas caribenhos qual era afinal o seu tambor mais agudo, sem especificar sua medida (imaginando que seria o principal), foi o de 9" 3/4 que lhes foi apresentado (e com razão, mas gerou confusão), pelo padrão existente lá fora.
Portanto, tomaram "o mais agudo" como sendo realmente o mais agudo (só que era preciso contextualizar de que formação se estava a falar): o requinto dos cubanos passou a ser chamado de quinto por aqui. Está feita toda a confusão e início de uma cultura explorando a sonoridade que foi criada pelo Brasil e que explica, pelo menos em parte, o modo como a música brasileira se utilizou deste tambor, descaracterizado do seu contexto original, mas criando outros usos e costumes percussivos, bastante influenciado por outros elementos e sonoridades nesta nova composição (influenciando o desenvolvimento da "Axé music"...uma outra história...fica pra uma próxima).

É por isto que encontramos tantos percussionistas brasileiros a afinarem seus tambores de forma tão alta, ao modo dos requintos e, pela lógica, a ter seu tambor de variação (o mais grave) também acompanhando estas altas afinações.
Abraço, galera!
Cássio de Fernando

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Meu cajon ideal!



Sempre tive a convicção de que todo percussionista geral precisa ter um set mínimo no qual não poderia faltar congas e bongô, blocos sonoros e cowbells, além de efeitos (de carrilhão e pratos até molhos de vários tipos), shake e meia-lua, dentre outros que, numa maior ou menor proporção, completam o que irá precisar dependendo do tipo de projeto. No mais, o que for somado será lucro (como acrescentar timbales, djembê, efeitos
 específicos etc).


No entanto, há um instrumento que reputo como sendo um "coringa" no cabedal do percussionista e que não necessariamente está contido neste set minimamente "obrigatório", já que pode ser feita uma apresentação musical inteira somente tocando ele: o cajón!

Isto porque, atualmente, o cajón não faz a função que costumava ser feita quando do seu nascimento (seja como marcador, seja como repicador - ambos sem som de caixa -, pois tinham função de tambores, como as tumbadoras no contexto afrocubano, ou tambores semelhantes no contexto do desenvolvimento da cultura afroperuana, remontando à prática cultural ancestral africana). No caso da costa peruana, por exemplo, na falta dos típicos tambores africanos em época colonial, escravos improvisavam em caixas utilizadas para transporte de mercadorias e assim foi sendo construída uma história com um novo instrumento que foi se desenvolvendo e ganhando novas feições conforme os usos e novos contextos, se espalhando pelo mundo (como na música espanhola, com o flamenco, introduzido por Paco de Lucia).

Com o desenvolvimento da bateria no século XX, uma adaptação aos novos tempos na história da música popular, o cajón passou a ser pensado também de outra forma (não só como função de tambor), como outra possibilidade de uso, levando em conta o som de caixa de bateria e de bumbo, simulando sua essência, seja com esteiras, seja com bordões ou outros artifícios. Dessa forma, busca-se vários elementos para se reconhecer um bom cajón hoje, dentre os quais, na minha modesta visão, o equilíbrio entre esses dois instrumentos completamente distintos num único instrumento que possa simulá-los.


E como não misturar o som de caixa com o de bumbo (há os que gostam da mistura, alegando um certo "brilho" no grave)? Particularmente, busco o cajón que acentua a separação. E foi com este critério que experimentei diversos cajóns, nacionais e internacionais, levando em conta:

1 - som mais parecido possível com o de caixa;
2 - som de caixa sem excesso de harmônico na esteira ou bordão;
3 - som mais parecido possível com o de bumbo;
4 - a não mistura do som do bumbo com a esteira/bordão da caixa;
5 - o local (o mais acima possível) adequado do toque do bumbo, de modo a não precisar inclinar o corpo;
6 - uma altura adequada para que não houvesse sensação de "formigamento" na perna pelo tempo de permanecer sentado.


Ser inclinado ou reto, acústico ou com captação elétrica, ou ainda, se tocado sentado ou no próprio colo, não eram prioridade pra mim. Buscava um cajón com capacidade de simular uma bateria e, com isto, ser versátil para um acompanhamento numa proposta de apresentação mais acústica num show.


Tive vários cajóns bons também, testei outros tantos (importados e nacionais), mas ainda procurava algum que unisse todos os critérios (frisa-se, bastante subjetivo, sendo um gosto de cada um), até testar um cajón um pouco mais baixo que o padrão, que estava perto de grandes marcas já consagradas no mercado, no mostruário de uma loja de música em Araraquara-SP. 

Estava comprando outros equipamentos e não pensava em comprar cajón algum naquele momento, pois já possuía 2 em casa e precisava economizar (quem nunca?!).

Mas aquele cajón foi como achar o Herbie (o famoso fusca "53"), vindo de Lambari-MG. Apaixonado pelo som e pelo conforto nos toques, muito bem feito, era o que procurava. Tive que comprar!

Trata-se de um Cajon ES 37 Inclinado, de compensado, com captação eletroacústica da Allê Cajón.

Click para Allê Cajón

Hoje, possuo tanto o meu "Herbie" inclinado como um reto da nova linha marchetiada e com acento estofado, uma obra de arte: o Cajon CAJ 001 Reto Marchetiado, desenvolvido com madeira maçiça de pinhus tratado e cedrinho vermelho! Um dos melhores cajóns que tive a oportunidade de tocar, de alto padrão. Quem experimentar, vai entender.

Fábrica da Allê Cajón - Lambari-MG

Parabéns a Allê Cajón pelo excelente instrumento e rápida expansão pelo Brasil, pois está sendo de fácil aceitação por sua qualidade, num mercado até mesmo saturado por tantos exemplares. E no meio de tantos, escolhi o Allê.









quinta-feira, 2 de junho de 2016

Groove Juice: limpador de pratos e polidor de instrumento


Mais uma novidade para os bateristas e percussionistas (tem até pra galera das cordas!):

o limpador de pratos Groove Juice!

Adquiri o meu, vindo direto dos EUA, e decidi fazer um teste difícil para tentar limpar um ride que estava jogado num depósito, corroído com o tempo e cheio de manchas de tinta, zinabre e sujeira, como poderão ver nas fotos abaixo. Neste caso, é claro que precisei também esfregar com uma escova (pratos em condição normal, esfregue com cuidado - uso apenas uma escovinha de dentes), mas com a ajuda do Groove Juice, o resultado me surpreendeu:





Fabricado em forma de spray, foi feito para não ser um produto abrasivo como é o Kaol, porém, eficiente para a limpeza e o brilho dos pratos de bateria:






CONHECENDO UM POUCO MAIS DO GROOVE JUICE

Fundada em 1996 por David Stirewalt, hoje é uma das marcas de limpador de prato mais conceituadas dos EUA.

É também marca membro da NAMM - National Association of Music Merchants. Embora conceituada e presente nos maiores e mais exigentes mercados do mundo, como o europeu e o asiático, ainda é pouco conhecida no mercado brasileiro, cuja entrada de importados é bastante dificultada pelas altas taxas de importação do país, além da dificuldade de bons fornecedores. A previsão é que, até 2018, chegue também por aqui, apesar da crise econômica.


PRODUTOS DA GROOVE JUICE

Além do Cymbal Cleaner, outros produtos foram lançados, criando linhas para suprir outras demandas do mercado:

- polidores de tambores (Groove Juice Polish);

- polidores para instrumentos de cordas (Groove Juice Guitar Polish);

- controle de aderência das mãos para baquetas (Groove Juice Drum Stick Grip);

- limpador mais leve (Cymbal Cleaner Jr) para liga B8 (bronze), para Sabian B8 Pro ou Zildjian ZBT e similares;


Eu utilizo o Groove Juice Cymbal Cleaner nos meus pratos de liga B20 da Soultone Cymbals, além de usar Cympads pra tocar, completando o meu set com todo o kit necessário para uma boa performance e manutenção!

Para mais informações sobre o Groove Juice, acesse: http://www.groovejuiceinc.com/
Ou acesse, curta e acompanhe a fanpage brasileira da marca em: https://www.facebook.com/groovejuicebrazil

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CYMPAD: Controle de som do seu prato de bateria

Em matéria de controle de sonoridade dos pratos de bateria, das opções de série e visual pra deixar teu set de pratos personalizado, a CYMPAD chegou ao Brasil pra ficar, caindo no gosto e preferência dos bateristas e percussionistas brasileiros.


Pouco lembrado e com literatura escassa, é um acessório que não dá pra ficar sem, ainda mais se o assunto é som de prato, conservação dos mesmos e pegada do baterista/percussionista. Feitos para absorver os impactos entre os pratos de bateria e seu suporte, hoje assume novas funções, servindo também para controlar o som, dependendo do que se deseja (cada prato com sua especificação exigindo um tipo de controle, no palco ou no estúdio). 

SOBRE A CYMPAD

Marca suíça fundada por Reto Hirschi e presente nas maiores feiras do setor pelo mundo, como a NAMM (EUA) e divulgada inclusive pela conceituada revista Modern Drummer, a IDrum Magazine (Reino Unido), Rhythm & Drums Maganize (Japão) dentre muitas outras pela Europa, EUA e Ásia (veja a lista no site oficial da marca), surgiu para substituir os antigos feltros de pratos de bateria, oferecendo no mercado o "cympad" produto: "amortecedor de prato".


Seu material consiste numa espuma celular de alto padrão de qualidade para um desempenho superior ao comparado com os feltros comuns, oferecendo consistência no tamanho e na densidade, que assume 2 tipos fundamentais de função:

  • o de otimização do som (Optimizer Series) por uma maior proteção e controle de vibração entre o prato e seu suporte (estante de prato), isolando adequadamente os dois itens (é preciso também os pequenos tubos envolvendo a haste do suporte para que não haja toque direto entre o prato e o suporte);
  • e o de moderação do som (Moderators Series) em função da densidade e tamanho utilizados, próprio para cada tipo de prato (hi-hat, crash, ride, china, fxo etc), indo do tamanho padrão até bem maiores, ideais para controle de grandes crash, ride e pratos de efeito cujo som é bastante prolongado e com "brilho" excessivo.


Há ainda uma expansão dos Optimizers com o acréscimo de cores (Chromatics Series) para personalizar o set, totalizando 3 diferentes séries:

Cympad Optimizer Series - cada modelo de prato com seu padrão (tamanho e consistência).




Cympad Moderators Series - controle do som do prato com diferenças de tamanho.




Tabela de Aplicação: clique para ampliar


Cympad Chromatics Series - opção de personalização do set (9 cores: preto, branco, vermelho, laranja, roxo, marrom, azul, verde e amarelo).






A CYMPAD é representada por um elenco de artistas consideráveis, dentre eles (somente ficando entre os americanos): Walfredo Reyes Jr. (Carlos Santana, Celia Cruz, Gloria Estefan), Felix Pollard (Lionel Richie, Chaka Kahn, Anastacia), Sammy Merendino (Cindy Lauper, Michael Jackson, Billy Joel), Dave Mattacks (Elton John, Paul McCartney, George Harrison), Stanley Randolph (Stevie Wonder, Backstreet Boys), Aaron Spears (Usher, Alicia Keys, American Idol Tour, James Brown), Gil Sharone (Marylin Manson, Stolen Babies), Antonio Sanchez (Pat Matheny Group, Chic Corea Trio), Bobby Rondinelli (Black Sabbath, Quiet Riot), Rich Redmond (Jason Aldean, Bryan Adams), James Kottak (The Scorpions), Gerald Heyward (Janet Jackson, Puff Daddy, Coolio, Mary J. Blige), dentre muitos outros, além de artistas de outras partes do mundo, tendo uma lista considerável de bateristas e percussionistas que aprovam e representam a CYMPAD mundialmente.

Para mais informações sobre este acessório, acessem o site: www.cympad.com


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Pratos Soultone Cymbals


Fundada em 2003 pelo baterista Iki Levy, a Soultone Cymbals (EUA) traz grande variedade de séries, modelos e características únicas de pratos, atendendo inclusive aos pedidos de personalização de cada projeto de seus artistas. Nesta postagem, vou falar um pouco dos pratos incríveis feitos pela Soultone, mas também da dificuldade que ainda existe em nosso país para conseguir um prato da marca.



Os pratos da Soultone são de liga B20 (pratos de bronze, cuja liga é conhecidamente composta basicamente de cobre e estanho, sendo este último numa proporção de 20% em sua composição, tornando-os mais maleáveis) que, dependendo do seu tamanho, espessura e características, influenciam no tipo de som produzido (se mais grave ou mais agudo, com menos ou mais "sustentação" do som, brilho, mais adequado a cada tipo de "pegada" do baterista etc).


A informação que tive da empresa há alguns anos é que os pratos são feitos na Turquia (através das marteladas dos mestres na arte de manipulação destas ligas feitas em pequenas fundições, diferentemente do fabrico por meio de automação) e enviados para os EUA para seu acabamento na Soultone Cymbals, percorrendo um longo caminho até o músico.



A política de oportunidades para endorses da Soultone Cymbals promoveu espantosamente a marca pelo mundo, inclusive pelo Brasil. Chegando nas lojas brasileiras, vem conquistando gradualmente seu espaço como uma das marcas de pratos turcos feitos à mão mais conceituadas e respeitadas do mercado mundial, membro permanente na maior e mais famosa feira de música das Américas (NAMM), mas ainda com muitos bateristas e percussionistas precisando encomendar com importadores (no Brasil, com a Sonotec atendendo lojistas) ou sendo enviados diretamente da fábrica para o músico que adere sua política de apoio aos artistas (o baterista/percussionista que desejar tentar apoio da marca, clique para passar pelo endorsement applicattion Soultone Cymbals).


O valor do prato para artistas chega a 70% de desconto, o que acaba valendo muito a pena para quem está nos EUA. Infelizmente, se considerarmos as condições de compra dos músicos brasileiros comprando pelo Brasil (e-commerce), considerando a cotação do dólar (clique) e sujeitos à taxa sobre importados (60% do valor do produto com o valor do frete, podendo também incidir outros tributos como IOF e ICMS), acaba ficando o mesmo valor de loja, ficando a critério do artista (quem se torna endorse, por contrato de até 2 anos e prorrogável, não pode utilizar outro prato senão o da marca com a qual concordou em representar).

Mas cuidado com o que deseja: primeiramente, pelo simples fato de que ficará "amarrado" desnecessariamente a um fabricante, o que pode não ser interessante pra você mesmo.


O músico precisa avaliar bem que tipo de investimento é cabível para sua carreira. Para o músico que almeja crescimento como profissional, investir em um bom set de pratos é uma prioridade pra quem procura qualidade, a seu critério e gosto por determinada marca, desde que atenda suas expectativas de trabalho.

Desta forma, penso que a Soultone Cymbals, dentre todas as marcas do mesmo segmento, ofereceu ao público vários fatores favoráveis: produto indiscutivelmente de qualidade, personalização e parceria de trabalho entre o músico e a marca a preço justo e interesse de marketing mútuo (do músico e da empresa, numa tendência publicitária de buzz marketing - "boca-a-boca").


Consta como representantes Nick Menza (Megadeth), Veronica Bellino (Jeff Beck), George Johnson Jr. (Seal), Nick Smith (Snoop Dogg), Jerohn Garnett (Mariah Carey), Steve Adler (Guns 'n' Roses), Calixto Oviedo (ganhador do Grammy Latino - 2000) dentre uma série de outros artistas dos mais variados gêneros e nacionalidades.



Das séries padronizadas disponíveis, clique no link abaixo para conhecê-las:


Espero ter ajudado quanto às informações sobre a Soultone Cymbals e convido a conhecer também as marcas Cympad (Suíça), Groove Juice (EUA), Octopode Bags (Brasil), AP Drums (Brasil) e Allê Cajon (Brasil)!



quinta-feira, 25 de junho de 2015

COMO MEDIR A PELE DE UM TAMBOR?



Uma questão recorrente entre os percussionistas é a maneira de se medir a pele de um tambor. Como descobrir o tamanho de pele que será preciso adquirir para um determinado tambor?
Na figura logo abaixo (figura 1), podemos ver como poderemos descobrir o local certo para medir o tamanho de uma pele.

Figura 1

Para ter melhor precisão, é preciso virar a pele para a parte interna para acharmos sua medida (como na ilustração interna com o exemplo da pele de bongô): meça o diâmetro (2 vezes o valor do raio). A indicação na cor verde é a forma correta para se medir, dentre as outras indicadas: a vermelha (ilustrando a medida tirada desde as extremidades da pele) e a azul (ilustrando a medida pela parte mais profunda da pele, sua quina).

Vou tomar a medida de uma pele de bongô LP Matador do tambor hembra (o maior). Com uma fita métrica (em centímetro), a posiciono seguindo o que está indicado em verde.

Note que a maioria das peles formam um pequeno ângulo ao percorrer sua altura: é exatamente ali (indicação em verde), na base de sua altura, mas não na extremidade da sobra da pele (indicação em vermelho), que precisaremos tomar como referência da medição.

Foi indicado, na minha medição em centímetro, um pouco menos de 22 cm. Para ser mais exato, indicou 21,9 cm (obviamente, os números que se seguem após o 9 é tão pequeno que desconsiderei). Usando um conversor de medidas (que pode ser encontrado pela web, online), o número mais próximo que achei foi 8.622...em polegada (em inglês, “inch”: 1 polegada é o mesmo que 2,54 cm). 

Veja página de um exemplo de conversor aqui:

Basta, agora, vermos a opção que há no mercado para este tipo de tambor. O fabricante (Latin Percussion) indica que a pele hembra possui 8” 5/8 (medida em polegada). Que há 8” nós já vimos através da nossa medição. Mas e quanto seria 622...em número fracionado, como costuma aparecer (11” ¾, 12” ½ etc)? Basta dividir o numerador 5 pelo denominador 8 e teremos o valor de 0,625 (bastante próximo do que precisávamos saber - 622 - portanto, indicando o valor de 21,907 - o nosso 21,9 com decímetro desconsiderado anteriormente). Assim, tiramos a prova, tendo a certeza de que é exatamente na parte indicada (verde), que se mede.

Para medir a partir do tambor (nova prova), o processo é o mesmo, como no exemplo abaixo (figura 2 - tumbadora sem o aro):

Figura 2 - tumbadora

Observando o que estaria indicado também em verde, onde devemos medir (em centímetro) e depois converter em polegada, verificamos as opções mais próximas que há disponíveis no mercado, selecionando alguns para a “prova da divisão da fração” para ver qual é o resultado mais próximo entre o que você converteu e o disponibilizado pelo fabricante (como todo fabricante de peles disponibiliza tabelas de medida e modelos, nos ajuda a identificar qual é o produto adequado a se adquirir).

O grande problema é saber qual é a inclinação que certos tambores possuem na madeira próximo da abertura superior onde vai a pele (demonstrando com geometria, com base num ângulo reto, a variação de um dos lados do triângulo retângulo é que varia a inclinação, ficando a critério de cada fabricante de tambor), o que obriga os fabricantes de pele a se adaptarem a isto, motivo pelo qual existem tipos diferentes de pele de quinto (11"), de conga (11" 3/4) e assim por diante. Veja no exemplo abaixo o triângulo retângulo formado pela inclinação do tambor, sendo o lado "C" condicionado à variação do tamanho do lado "A":

Por exemplo, A Remo disponibiliza sua pele para 11", mas há modelos diferentes indicados por D1, D2, D3, D4...estas indicações permitem saber o tipo de inclinação do tambor de determinada marca. Peles com modelos de aro empachado (tucked) são difíceis de se adaptarem a tambores que não se encaixam em suas medidas. Já as de aro "prensado" na borda da pele (crimplock), se adaptam a tambores de padrões diferentes de inclinação na madeira, se ajustando conforme a pressão da afinação devido aos veios criados na parte lateral da pele, como no exemplo de pele de modelo crimplock da próxima foto:

Espero que eu tenha ajudado sobre esta dúvida ou, pelo menos, fomentado mais a curiosidade para que saibamos um pouco melhor sobre os instrumentos que utilizamos, no caso, alguns membranofones como tumbadoras, bongôs, djembês etc.

Cássio de Fernando



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

TIPOS DE COWBELL



Muitos amigos já me perguntaram a respeito de qual cowbell (também conhecido por campana, sino de vaca e por aí vai!) adquirir no meio de tantas opções. Pra isto, é preciso saber qual é a função de cada um e para o que será usado. 


O cowbell, ou "sino de vaca" (tradução literal do inglês), "campana" (no espanhol), também pode ser entendido como uma espécie de caneca para se percutir, similar aos sinos de vaca com badalo. No caso, o cowbell que iremos falar é sem o badalo, sendo classificado, segundo o sistema Hornbostel-Sachs, como idiofone percutido de altura definida.

Como possui bastante variação, tanto de material quanto de forma e tamanho, entendê-lo no seu contexto de uso ajudará o percussionista a escolher o da sua preferência para o seu set up.


Em resumo, há 3 tipos de cowbells, usados sobretudo na música latina, de onde irá derivar depois seu uso na música pop e em outros gêneros: o chacha bell, o mambo bell e o bongo bell.
Fica evidente que esta classificação leva em consideração o contexto de uso na música latina, já que a função do primeiro é característico da condução peculiar do gênero cha cha; o segundo, é usado na produção do padrão rítmico típico dos timbales no mambo; e o terceiro, refere-se à função em que o bongueiro (quem toca bongôs) utiliza o padrão de condução no cowbell, em momentos específicos da forma de alguns gêneros latinos, como o mambo.
Basicamente, o primeiro (cha cha bell, tocado no gênero conhecido como "cha cha cha") é usado para marcar a condução contínua, em colcheia, com sonoridade mais aguda para médio, sendo portanto um cowbell menor, como poderemos ver na foto:
Cha cha bell, medindo aproximadamente 4" 1/2 (quatro polegadas e meia)
O mambo bell, utilizado nos timbales, golpeando a ponta da baqueta no corpo do cowbell, marca um padrão rítmico característico dos momentos da chamada "salsa alta" (em suma, irei me referir ao modo didático de se designar à forma em que o cantor está no refrão ou no momento entre o pregón, ou seja, o improviso, e o coro, diferentemente do que chamaremos de "salsa baixa", momento das estrofes), marcando uma mudança na dinâmica, muito importante para caracterizar o uso correto dos instrumentos na música latina, sem o qual esta perde a sua força de expressão:
Padrão rítmico usado no corpo do mambo bell com base na clave de son 3:2
Mambo bell, medindo aproximadamente 8" (oito polegadas)
O bongo bell é executado segundo o padrão de condução de tonalidade grave, em semínima, na borda da boca, alternando com padrão de "resposta" agudo no corpo do instrumento pelo bongueiro, na parte em que a música está em "salsa alta" (o bongô propriamente dito é tocado na "salsa baixa", concomitante ao timbaleiro executando o padrão de cáscara), com dinâmica bastante marcada pela condução, que sempre obedece à clave. Ou seja, ora o bongueiro está tocando o bongô, ora está tocando o bongo bell, dependendo da parte da música:
Bongo bell em sua forma tradicional, sem presilha para fixação, possuindo abertura larga, de tonalidade grave
É com base nestes 3 exemplos que outros são derivados, por exemplo, tendo versões com presilha para o bongo bell (tradicionalmente tocado segurando-o) para executar com os pés, com a ajuda de um pedal e um suporte apropriados, somente marcando as semínimas; ou tamanhos variados de cha cha bell e até de mambo bell.

Há versões híbridas, em que são misturadas características de mambo bell com bongo bell, de modo que o percussionista ou baterista que esteja interessado em um único cowbell, possa utilizá-lo com versatilidade, executando padrão de timbales em seu corpo, juntamente com a condução em semínima do bongo bell, tocado na "boca do cowbell".


Irá depender muito do que o músico deseja tocar, mas cowbells híbridos costumam ser usados para música pop e até mesmo o rock, sendo considerados cowbells "coringas"! Se mais grave ou mais agudo, dentro destas classificações, aí vai depender do gosto, estilo e intenção do músico no contexto em que tocará com outros instrumentos. Neste sentido, há também o uso, com presilhas, de conjuntos de cowbells de diferentes tonalidades, formando até mesmo escalas, semelhante a ideia do agogô (instrumento afro-brasileiro).
Espero que, com estas primeiras indicações, baseadas no pouco de experiência que pude adquirir estudando o vasto e complexo campo da música latina, o músico que esteja buscando melhores informações possa se orientar para a escolha do cowbell mais apropriado as suas intenções, sem necessariamente presumir que este artigo esgote o assunto, haja vista sua intenção mais didática do que enciclopédica. Qualquer dúvida ou discussão mais aprofundada sobre o assunto, estou à disposição.